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Bem mais que cinco estrelas

Olho pro céu e divago. É certo que só vemos outras estrelas, mais distantes, quando a nossa, o Sol, está escondido do outro lado do mundo.

Também é verdade que as luzes da cidade confundem nossa visão, e que o céu da zona rural tem mais pontos brilhantes do que da vista do apartamento.

Essa noite está um pouco nublada, e mesmo assim vejo mais do que cinco estrelas em todos os momentos.

Pondero que olhar estrelas é diversão de quem tem a barriga cheia e o corpo aquecido, direitos tristemente convertidos em privilégio. Não são as estrelas privilégio: muito antes, pouco ligam se existo para contempla-las. Se estudei certo, mortas estão. O que vejo é a contação de sua história, seu antes.

Olho estrelas sem pensar além. Olho pela beleza. Por essa paz transcendente que informa que eu, e tudo, somos pó de estrela. Que muito maior do que eu ou outrem é o lugar que habitamos. Que o agora dura pouco, mas o aqui começou bem antes e vai terminar muito depois que nós. Que também tem um ciclo, infinitamente maior que o nosso, que já se crê enorme frente a outros.

Olho para as estrelas e comungo existir, mensuro insignificância perto de tudo o que pode ser, e ainda assim presente, sangue quente e olhos no céu.

Olho as estrelas. Mais de cinco. Estar aqui é muito mais do que uma experiência cinco estrelas.

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