QUINTA-FEIRA, 25 DE OUTUBRO DE 2007
Página trezentos e quarenta e cinco
Sociofobia
Acho que tenho fobia de gente.
Não me sinto bem em grandes aglomerações, e isso não é de hoje nem de ontem.
Não sei manter conversações banais sobre o nada, simplesmente para parecer simpática a alguém completamente estranho.
Não consigo fingir entrosamento com pessoas que não conheço direito.
Só consigo me abrir com pessoas em quem confio, e só consigo confiar em algumas poucas pessoas.
Não tenho o menor talento para puxa-saco, apesar de ter prazer em apontar as qualidades que verdadeiramente enxergo nas pessoas.
Não gosto de mentir. Uso o artifício somente em casos de necessidade extrema.
Obedeço (a maioria das) regras simplesmente por acreditar que elas tornam o mundo mais harmônico.
Me irrito com pessoas que não se importam com o próximo o suficiente pra, de quando em quando, suprimir as próprias vontades em prol de um bem comum.
Odeio maus motoristas: aqueles que dirigem como se os carros deles fossem os mais importantes do mundo; a pressa deles, as maiores; as ideias deles, as mais certas.
Gosto muito de algumas pessoas. Gosto de muitas pessoas. Não gosto de várias pessoas.
Não sou a pessoa mais popular do planeta, nem pretendo ser. Só quero que algumas pessoas que eu gosto e me importo me gostem bastante também.
Mentira, eu quero que todo mundo me ame. Só não quero comprar esse amor, quero que me amem por quem eu sou, não pelo que eu me transformei pra agradar e conquistar.
Às vezes eu tenho uma certa fobia de andar no mundo em que vivo. Às vezes acho que está tudo muito errado, e é chegada a hora de um dilúvio, uma nova Arca de Noé. Isso não garante a minha permanência, mas às vezes acho que preferia não estar nesse mundo tão ególatra.
Talvez eu esteja desenvolvendo uma espécie de sociofobia. Um medo de gente, gente estúpida, hipócrita e mentirosa.
Talvez o melhor mesmo seja juntar os meus trapinhos com os dele (que disse que me ama…) e ir fazer uma vida num lugarzinho pequeno, de pouca gente, pouca pressa. Talvez o melhor refúgio seja a fuga.
“Vamos fugir desse lugar, baby?”