Em junho de 2022, quando o Coração tomou a decisão de mudar de vida, ele tinha controle sobre o futuro – o sangue nas veias contava para cada célula do corpo que esse era o caminho. Ele enfrentava o Cérebro numa batalha de muitos e muitos dias, até o ponto de desespero: CORAÇÃO DECIDIDO E CÉREBRO COLOCANDO EMPECILHO.
Na minha cabeça, fé é algo nessa margem: quando as respostas não conseguem se apoiar em nenhum fato, só a crença em algo além pode trazer alguma afirmação.
Na época, numa noite de insônia, consultei um tarô online: fé no aleatório do programador. Eram três cartas; me lembro de ficar tão impressionada que dividi o resultado na hora com a amiga-bruxa que sabe de verdade sobre tarô.
Infelizmente, meu telefone teve um problema no início de 2023 e eu perdi a conversa, então vai ser preciso confiar na minha memória. Uma carta falava de finalizar ciclos, a outra sobre fazer mudanças extremas, e a outra eu esqueci. A amiga e eu ficamos impactadas com a potência da resposta do aleatório. Eu lembrava dessa sensação sempre que me batia o desespero, nos meses seguintes.
Corta pra hoje, fevereiro de 2024. Tive um ano pra pensar nas mudanças que venho construindo pro meu futuro. A grande lição, a dura e irreversível, é do quanto o meu caminho vai ser sempre interceptado e alterado por forças fora do meu controle.
No caso específico do impasse atual – e, não duvide, é um desespero! Só não precisa aparecer no meu rosto o tempo todo – o problema volta na máxima de que toda escolha é também uma renúncia.
Ia eu fritando com meus pensamentos e, no caminho do desespero, resolvi consultar o I CHING. Veja bem, desde que seja no poder do aleatório, eu consigo me acalmar com os resultados. Uso até os dados (os de jogo, de seis lados) pra encurtar o desespero. Não é uma fé tradicional, mas é o que tem pra hoje.
Pois então… Fiz uma pergunta, joguei as moedas, li as respostas. Transcrevo:
“É possível que o caminho da espera que me leve ao resultado desejado nessa história?”
O resultado principal foi SEGUIR, e o complementar, que diz respeito a duas linhas, foi MORDER. A leitura textual diz: “Toda situação, por mais desafortunada que seja, se torna boa se a pessoa se adaptar e não desperdiçar forças em uma resistência inútil. Para dirigir ou convencer os outros, deve-se sempre estar disposto a escutá-los. Quando alguém conhece pessoas valiosas, é natural perder as inferiores. É necessário afastar-se do superficial e não se confundir com as tentações do momento. O tempo exige que se tomem medidas que, de antemão, sabe-se que não vão agradar. Mas não resta outra saída. É importante não continuar cometendo as mesmas faltas; sem correção, haverá humilhação.”
Eu fiquei meio assustada com a resposta. Deu vontade de sentar e debater com os amigos. Só que andamos todos com agendas cheias, problemas que se multiplicam. Então eu escrevi para reler agora, para pensar, para reler no futuro, quando a solução de tudo isso for passado.