[trazido de um blog antigo, escrito em 25 de maio de 2014]
Eu me confesso viciada em cumplicidade. Pouco me importa se tens mil amigos, se todos te sabem o nome ou a figura ou o título, nada disso me tem valor. Cem ou três amigos, me interessa a relação com cada um deles.
O que me alegra, me aviva e me incentiva são aquelas relações que evoluem em seu próprio tempo, mas que permitem olhares que chegam a ser mais explicativos que palavras. Gosto de estar com gente que me reconhece, com meu jeito pouco convencional, do avesso, singular.
Gosto quando seguramos risadas pelos mesmos motivos, e gosto mais ainda quando fazemos isso num ambiente impróprio para risadas, nos olhamos e nos bastamos.
Gosto de saber que, não importa o tema, teremos tempo pra continuar o debate depois, só nós, ouvindo e respeitando um ao outro.
Deve ser uma espécie de preguiça, essa história de não gostar de elaborar grandes solilóquios para me explicar: tão melhor quando sabem ler meus atos e prever minhas mais honestas opiniões… Conviver comigo a ponto de saber, de antemão, a cara que vou fazer quando receber esta ou aquela notícia.
Gosto que sejamos cúmplices em algumas tarefas — e algumas travessuras — nessa grande gincana que é a vida.