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09 de janeiro 2022

Escrevo dias depois. Me sento e escrevo tendo sentido e pensado bastante sobre os eventos. Escrevo pra lembrar e saber que isso que senti vem às vezes e que, mais importante, vai embora sem pressa, mas vai.

Realizei o sonho de ter um carro pequenininho, bonitinho, 4×4. Isso foi em junho passado.  Só que junho teve luto e ansiedade e dor. Comemorar ficou pra depois. Em julho tentei uma manobra que, em outras ocasiões, teria funcionado, e fui levar o carrinho pra praia. Tanta máscara e tanta chuva borraram bastante a experiência, e eu era a pessoa infeliz, apesar de ter realizado um sonho. Essa frase virou um peso a mais pra carga da tristeza.  Não tava tudo bem.

Em Outubro teve um evento da montadora, fiz fotos legais do carro, curti de verdade a experiência, mas ainda era menos do que eu sabia que o carro podia fazer. Já era mais legal, a alegria estava chegando.

Aí teve o dia 08 de janeiro.  Alguém do grupo sobre o carro fez o convite aberto a um passeio pertinho de BH. Convidei meu irmão, conversei com o moço, a gente se entendeu e eu fui lá, brincar na lama. Foi genial, fiz a parte tranquila do caminho e observei tranquila enquanto meu irmão guiava pela parte tensa – mostrando o quanto ainda tenho pra aprender e como o meu carro-sonho tem possibilidades e poder.

Ainda na trilha, começamos a receber as notícias.  Não eu, que desliguei o celular e fui ser inteira na trilha, mas meu irmão, que é de fato uma pessoa bem informada. Junto do meu sorriso e da minha aventura na chuva e lama, notícias de barragens, diques, rompimentos, memórias ruins da lama em Minas Gerais. Pouco depois, junto da minha foto num mirante e da alegria ecoturística, notícias das lanchas e do cânion em Capitólio.

Chegamos bem, sem maiores problemas, mas meu irmão teria problemas pra voltar pra casa, já que ele não mora em BH e o dique que transbordou estava no meio do caminho.  Um pouco mais de tensão um pouco mais próximo.

O domingo deixou chover como se fosse uma semana inteira, o caos e a tristeza em todos os canais, e eu senti sufocar minha alegria. Eu sei, baixa resistência à verdade e à vida, diagnóstico certeiro, mas não foi possível deixar de sentir. Veio me abraçando de todos os lados, e eu fui me recolhendo e me escondendo na cama, no sofá, no tablet e na tv… Querendo sumir.

De férias, sem compromissos, foi fácil sumir. A tábua de salvação foi a passagem comprada para ver o mar: nela subi pra sair da escuridão e criar algum movimento e procurar aqui. E é daqui que escrevo, em direção ao sol, buscando movimento, querendo sorrir.

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