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Leitora ávida?

Ontem, depois de expor em rede social que eu tinha lido duas biografias de mulheres e estava em busca do próximo livro, me perguntaram como eu fazia pra ler tanto em tão pouco tempo. Minha resposta imediata foi “acho que aprendi na infância e ficou”. E depois se seguiu um diálogo que basicamente falava de ter pouco tempo pra tudo o que se quer, e que eu não gosto de videogame.

Hoje eu estava aqui, pensando em outro detalhe, ou outros detalhes. O primeiro é que eu não aprendi a ler na escola: aprendi antes, perturbando as pessoas que aprenderam em volta, e eu ficava olhando, invejosa. Eu sempre gostei de códigos e estou aqui imaginando que devo ter ficado revoltada quando todas as pessoas da casa entendiam escritos, menos eu. Traduzindo: eu comecei a ler por que eu quis, por desejo, a melhor motivação que existe para aprender.

Um segundo ponto é que meus pais realmente incentivaram leitura. Somos três crias, então era menos sobre ganhar livros e mais sobre ter uma coleção à disposição (porque, se houvesse posse, haveria limitação de acesso, certamente… “é meu e você não vai ler porque eu não quero” soa muito possível). Sempre tivemos o privilégio de muitos livros em casa.

Hoje, ainda agora, me dei conta do terceiro fator significativo. Meu corpo é capaz de ficar cinco horas relativamente imóvel, absorvendo ideias abstratas e histórias reais ou fabricadas. Um dos meus irmãos não é bom nisso, e coincidentemente, não é um leitor ávido. Meu sobrinho exibe traços muito semelhantes. É como se eles precisassem de altas doses de sensações e movimentos e eu fosse assim, meio HIPOativa, meio animal astral bicho preguiça: eu vou, mas vai demorar.

Em resumo: eu leio muito nas férias. Em períodos como esse, minha mente não está cansada com o que foi feito, nem preocupada com o horário do que ainda tem pra fazer. Meu corpo pode ficar quieto pra minha mente se esbaldar. E minha mente pode colocar em prática todo o seu treinamento em traduzir letrinhas em histórias, construções, imagens e vozes dentro da minha cabeça. E eu posso escapar do mundo-que-é, por um tempo breve, e viver em outros mundos, experimentar outras sensações, aprender novas formas do outro e provar em mim pra ver se serve.

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