Categorias
sobre viagens

Audiovisual não é meu melhor ângulo

Amanheci no mato bem cedinho, depois de uma noite muito bem dormida – gratidão e tudo o mais. O sol ainda estava escondido, mas o céu já estava claro. Pensei nas múltiplas possibilidades do dia, coei um café, tentei fotografar um beija-flor na bananeira.

A semana inteira estive planejando passar de novo pela estrada de terra em condições péssimas. Sabe como é, o carro é ferramenta, mas pode ser brinquedo, diversão (essa inclusive foi a campanha publicitária dele, anos atrás). Na vinda pro mato, senti preguiça do tamanho da volta em passar pela cidade vizinha pra chegar pela estrada divertida e vim direto mesmo. Até pensei em pegar o carro e chegar até lá no fim da tarde, mas a rede e o livro me seduziram, então adiei novamente.

Hoje cedo decidi ir. Mais que isso, juntei alguns dos apetrechos de fotografia e registro audiovisual e pensei “vou experimentar, testar o equipamento “. A intenção era registrar a diversão.

Comecei super bem: posicionei a câmera para uma visão em primeira pessoa, muito parecida com a minha como motorista. Dei a partida e comecei a gravação, com direito a gravar abertura da porteira e tudo o mais. Já estava pensando na trilha sonora, no texto, nos efeitos de edição…

Fui dirigindo, feliz e satisfeita, vez ou outra passando o olho no visor do equipamento. Meu desafio chegou e o carro subiu, sem maiores apertos, aquele mar de areia e buracos. Não muito à frente, um carro abandonado impedia a passagem: infelizmente estava atravessado na via, com um grande amassado na lateral dianteira esquerda. Pareceu que o motorista perdeu o controle na descida – a estrada está perigosamente ruim.

Um terço de mim sentiu pena, mas dois terços só pensavam em como o vídeo daquilo tudo ficaria divertido. Manobrei o carro para fazer o caminho de volta, pensando principalmente que tinha sido bom ir até lá só por diversão, e não como escolha de caminho – isso teria sido uma dor de cabeça real. Com o carro já virado na direção correta, corri novamente o olho no visor, e foi então que descobri: a gravação tinha parado. Não foi sob minha ordem, e portanto eu não sabia quando ela tinha sido interrompida. Torci pra que o melhor pedaço tivesse sido registrado e peguei o caminho de volta.

Quando cheguei e fui assistir ao vídeo gravado, entendi que o limite do equipamento é de cinco minutos ininterruptos. Não chegou a gravar nem a passagem pela caminhonete antiga, no alto do morro. Não fez registro do desafio 4×4. Não mostrou o pobre carrinho atravessado na pista. Só ficaram algumas belas imagens da partida e da minha figura com excelência na abertura de porteira. E muito, muito registro do quanto o sacolejo é real. Essa parte me faz rir, porque é o que sempre digo quando me perguntam se o carro é bom: “é diferente, sacode bastante, mas eu estou gostando muito”.

Queria ter chegado ao ponto onde fotografei, semana passada. Teria usado o tripé e feito fotos do carro comigo dentro, em cima, ao lado. Queria ter feito um bom registro da poeira, do auê, do furdunço que é subir a estrada divertida / perigosa / ruim. Esses quereres talvez tenham sua gênese nos muitos vídeos e imagens que venho consumindo nas redes sociais desde que comecei a seguir grupos de trilha e 4×4. Suscetibilidade é o tema.

O fato é que, ao fim, o que me restou foi descrever, com muitas palavras, como foi a manhã de domingo (ou o seu início, ainda nem são 9am). A ilustração, as fotos, os vídeos… isso ainda não consegui dominar. Eu sou da palavra escrita, muito mais do que de sons e imagens.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *