Agora, nesse minuto, um abraço. Um bom aconchego entre ombros largos, cheirosos de banho, quentinhos. Cheios de carinho inocente, sem nenhuma segunda intenção. Uma nuca que eu conheça, que me encaixe e me permita descansar. De verdade. Desligar de tudo, com o nariz coladinho ali, a boca encostada na pele, e os olhos fechados.
Um abraço cúmplice. Que saiba que, de vez em quando, eu preciso chorar. Sem motivo, com motivo. Chorar devagarinho, manso. Lágrima rolando, mas sem soluço. E que, às vezes, eu não quero conversar sobre isso. Basta saber que não estou nos braços do motivo das lágrimas.
Mãos que me acariciem, me façam um cafuné. Que liguem o som e não se importem em deixar o tempo passar assim, sem fazer nada, mas significando tudo. Que me deixem ouvir um coração batendo, um ritmo gostosinho, calmante.
De vez em quando, eu realmente sinto falta de um namorado. E o grande problema é que não é falta de um namorado: é a falta da cumplicidade que se adquire depois de quatro, cinco anos de relacionamento. Falta de alguém que realmente tenha significado na minha vida. Que seja tão importante pra mim quanto eu mesma. Talvez um pouco menos.
Ciente que estou da condição efêmera desta tristeza que só parece sem fim, escrevo já pensando que não é assim que eu devo pensar. Escrevo lembrando que ali embaixo existem planos e objetivos. E que cinco anos em dois meses é um grande desperdício de boa vontade. Calma. Calma. Calma.
Escrito por Maria Bonita às 23h14.